Chico Albuquerque (1917-2000) foi um pioneiro da publicidade brasileira na década de 1940, em São Paulo, e realizou importantes trabalhos de retrato e de documentação de sua terra natal, o Ceará. Sua carreira começou pelo cinema: filho de um cinegrafista amador, aos 15 anos realizou um documentário de curta-metragem junto com seu pai. Em 1934 profissionalizou-se como fotógrafo, fazendo retratos no estúdio da família, em Fortaleza.
Participou das históricas filmagens de It’s all true, de Orson Welles, no Ceará (1942), como fotógrafo de cena.A experiência marcou profundamente Albuquerque e influenciou toda sua carreira. Ele chegou a afirmar que, antes de Welles, fotografava sem noção de composição e, graças ao diretor, percebeu “que era necessário ter uma noção de estética para fotografar direito”. Além da descoberta de seu rumo artístico, o filme também reforçou sua identidade com a terra natal: em 1952, ele retorna a Fortaleza especialmente para fotografar a paisagem cearense e a dinâmica da vida dos jangadeiros para um de seus ensaios mais célebres, Mucuripe.
Albuquerque transferiu-se para São Paulo em 1945. Abriu estúdio próprio e rapidamente o transformou em um dos mais bem equipados da cidade, fotografando produtos, personalidades da sociedade paulistana e artistas, como Aldemir Martins, Mário Cravo e Victor Brecheret. Em 1949 realizou a primeira campanha publicitária brasileira ilustrada com fotografia, para uma campanha da Johnson & Johnson, assinada pela agência J. W. Thompson. Importou em 1958 o primeiro equipamento de flashs eletrônicos do Brasil. Entre as décadas de 1950 e 1970, trabalhou intensamente com propaganda e campanhas comissionadas, atendendo clientes de setores como indústria automobilística, moda, alimentos e arquitetura.
Paralelamente à atividade comercial, participou ativamente de debates teóricos do movimento conhecido como Fotoclubismo, que acontecia principalmente em torno do Foto Cineclube Bandeirantes. Em 1952, apresenta a mostra individual Jangadas no Museu de Arte de São Paulo-Masp. Retornou para Fortaleza em 1975, onde montou um novo estúdio e trabalhou até sua morte, em 2000. Nesta cidade, em 2003, foi fundado o Instituto Cultural Chico Albuquerque. Dois anos depois, o Museu da Imagem e do Som de São Paulo promove a exposição Retrospectiva Chico Albuquerque, dando visibilidade a imagens produzidas entre a década de 1940 e o ano 2000.
Preservada pelo Instituto Moreira Salles por meio de um convênio com o MIS-SP, a coleção de Albuquerque tem cerca de 60 mil imagens.
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