Morre o antropólogo Claude Lévi-Strauss

 

Rua da Liberdade, c. 1937
São Paulo-SP
Fotografia de Claude Lévi-Strauss


Morre o antropólogo Claude Lévi-Strauss
 
 
Morreu na noite de sábado para domingo, dia 1/11, aos 100 anos, o etnólogo e antropólogo Claude Lévi-Strauss, considerado um dos expoentes do estruturalismo. Nascido em 28 de novembro de 1908, em Bruxelas, Bélgica, Lévi-Strauss teve papel importante no estudo da cultura brasileira. Em 1935, aos 27 anos, chegou ao Brasil integrando a segunda leva de professores estrangeiros convidados a dar aulas na Universidade de São Paulo (USP), então recém-criada. Entre 1935 e 1939, organizou várias missões etnográficas pelo Mato Grosso e Amazonas e lecionou na USP até 1938. Voltou à França nas vésperas da Segunda Guerra Mundial e pouco depois foi para Nova York dar aulas, trabalhando ainda como conselheiro cultural na embaixada francesa dos Estados Unidos. De volta à França, deu aulas no Collège de France de 1959 até se aposentar, em 1982. 
 
O Instituto Moreira Salles guarda uma coleção de imagens – um conjunto de 44 negativos originais com cenas da capital paulista, produzidos entre os anos 1935 e 1937 – que foram adquiridas diretamente de Lévi-Strauss e reincorporadas ao patrimônio iconográfico de São Paulo. O pesquisador registrou uma capital em transição, onde ainda se podia ver nas ruas animais de fazenda em meio ao movimento de carros e bondes (como na imagem acima), mas também novos prédios – como o célebre Martinelli – despontando. Estas fotos foram publicadas apenas sessenta anos mais tarde, no livro Saudades de São Paulo, editado pela Companhia das Letras.